Papanicolau (Colpocitologia oncótica)

O que é Papanicolau?

O exame Papanicolau (Colpocitologia oncótica), recebeu esse nome em homenagem ao médico grego Geórgios Papanicolau (1883-1962). Cientificamente, o Papanicolau é chamado de Colpocitologia Oncótica ou esfregaço cérvico-vaginal. Hoje, ele é conhecido popularmente como um exame preventivo, indicado para todas as mulheres entre 21 e 65 anos (aproximadamente), que devem realizá-lo pelo menos uma vez ao ano para prevenir o câncer de colo do útero.

O principal objetivo do exame é coletar e analisar em microscópio as células do colo do útero, para verificar se existem células cancerosas ou outros problemas. Embora a indicação seja de que a mulher realize o Papanicolau uma vez por ano, a frequência pode variar em função dos resultados anteriores do mesmo exame.

Caso a mulher tenha algum problema, será preciso uma frequência maior para que o médico avalie o seu quadro de saúde. Para aquelas que não apresentam alterações, pode ser que o médico indique uma frequência menor de realização, como a cada 2 anos.

Esse exame não é doloroso, não exige anestesia e nem mesmo sedação. A paciente pode sentir um desconforto em função do uso do espéculo para dilatar o canal vaginal, e pela raspagem do colo uterino com a espátula.

Indicação de Papanicolau

O exame de Papanicolau (Colpocitologia oncótica) é indicado para todas as mulheres em idade fértil e sexualmente ativas. Não é necessário que ela apresente algum tipo de sintoma para realizá-lo, pois a intenção do exame é verificar precocemente a presença de um quadro anormal.

Trata-se de um exame exclusivo de colo de útero, portanto, realizado somente por mulheres. O foco principal do Papanicolau (Colpocitologia oncótica) é verificar a presença de células malignas, porém, ele também pode diagnosticar inflamações, infecções e DSTs (doenças sexualmente transmissíveis).

Os resultados deste exame auxiliam no diagnóstico de:

  • candidíase;
  • sífilis;
  • HPV;
  • gonorreia;
  • clamídia;
  • gardnerella;
  • tricomoníase.

O Papanicolau também pode ser realizado em mulheres virgens, se for preciso. Neste caso, o médico adota um procedimento diferente, porque utiliza um espéculo de tamanho especial, e ao invés de coletar as amostras com a espátula, utiliza um cotonete.

Não há contraindicação para a realização do Papanicolau (Colpocitologia oncótica) em mulheres grávidas. Isso porque o exame é seguro nessa condição, e não apresenta nenhum tipo de risco para mãe ou bebê, muito menos causa complicações na gravidez.

O que não é recomendado é que o exame seja feito quando a paciente estiver menstruada. A descamação do útero interfere no resultado, então, o ideal é que o procedimento seja realizado até uma semana antes da menstruação, ou 10 dias depois da interrupção do fluxo menstrual.

Como funciona o Papanicolau?

Para que o exame de Papanicolau (Colpocitologia oncótica) seja realizado, é preciso que a mulher esteja no período certo do seu ciclo menstrual para não interferir no resultado. Também é preciso uma preparação prévia, com alguns cuidados 3 dias antes da data agendada, sendo:

  • evitar relações sexuais com ou sem preservativo;
  • evitar o uso de duchas vaginais;
  • não fazer a aplicação de cremes ou medicamentos vaginais;
  • não agendar exames ginecológicos de toque próximos à data do Papanicolau (Colpocitologia oncótica).

No dia do exame, a paciente deve despir-se das roupas da parte de baixo do corpo, e permanecer deitada em posição ginecológica. O médico inicia o exame observando a vulva (Vulvoscopia) para analisar a presença de alguma infecção, de DST ou doenças autoimunes.

Essa observação é feita com o colposcópio, um equipamento que aumenta as imagens cerca de 10 a 40 vezes. Depois dessa análise, ele inicia o exame do colo do útero, e para conseguir uma boa visualização, utiliza o espéculo para dilatar o canal vaginal.

Em seguida, ele introduz no canal uma espátula específica para o exame, que possui uma escovinha em sua extremidade. Com ela, o profissional faz a coleta do material para análise, esfregando gentilmente o instrumento no colo do útero.

Esse processo não é doloroso, mas pode incomodar um pouco. Por isso, o ideal é que a mulher relaxe para reduzir a tensão do corpo e sentir-se mais confortável durante o exame. As células coletadas na raspagem do colo do útero são colocadas em uma lâmina para análise em microscópio.

Essa lâmina é identificada com os dados da paciente, e encaminhada para o laboratório, a fim de que um médico citologista a observe e identifique as células. Quando existe alguma alteração, o material é analisado também por um citopatologista, que poderá identificar o tipo de célula estranha que está presente no material. O resultado do exame fica pronto de 3 a 14 dias, e pode ser classificado como normal ou alterado.

O exame normal traz, entre outros dados, a descrição da flora microbiológica da região examinada. Ele pode descrever algum tipo de infecção, caso sejam encontradas células de defesa, e neste caso, o exame apresenta qual é o microrganismo invasor.

Quando o exame apresenta resultado anormal, ele indica a presença de alterações nas células escamosas, e recebe classificação conforme o tipo de problema identificado como ASC-US e ASC-H.

Essas alterações nem sempre indicam a presença de células cancerosas, porque na maioria dos casos é uma condição benigna que pode ser tratada com sucesso. Quando as alterações indicam a presença de células malignas, o médico solicita um novo exame para ter um diagnóstico preciso.

Benefícios do Papanicolau

A grande vantagem do exame de Papanicolau (Colpocitologia oncótica) é sua eficácia para diagnosticar o câncer de colo de útero ainda no início. Isso porque essa doença não apresenta sintomas quando ainda se encontra no estágio inicial, mas por meio deste exame é possível diagnosticá-la e tratá-la.

O câncer de colo do útero se inicia com a presença de células pré-cancerosas, ou seja, aquelas que podem evoluir para o câncer. Então, se isso é observado no começo, a mulher é tratada e curada. O Papanicolau (Colpocitologia oncótica) é um exame barato, simples e eficaz, que pode salvar a vida de milhares de mulheres todos os anos.

Dr. Armindo
Dias Teixeira


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