Posso escolher o sexo do bebê?

Alguns casais, quando decidem ter um filho, não demonstram favoritismo para um dos sexos. Para eles tanto faz se a criança for menino ou menina, assim, não há uma grande expectativa quanto a isso.

Porém, há aqueles que gostariam que a criança nascesse sob um determinado sexo, seja porque o casal já possui filhos com o sexo oposto, ou porque desejam que seu primeiro filho, por exemplo, tenha um sexo específico.

Com as técnicas de reprodução assistida seria possível para esses casais escolherem o sexo do bebê, porém, aqui no Brasil essa prática é proibida se ela não tiver uma finalidade que envolva mais do que a preferência dos pais. Continue lendo para entender mais.

Como pode ser feita a escolha do sexo do bebê?

As técnicas de reprodução assistida que hoje a medicina dispõe permitem que seja realizado um estudo genético dos cromossomos dos embriões para descobrir qual será o sexo do bebê. Isso é feito numa determinada fase do desenvolvimento em laboratório (blastocisto), quando uma amostra do material é recolhida e enviada para biópsia.

Embora isso seja possível e os casais possam dispor da técnica para escolher o sexo do seu filho, isso não pode ser realizado sem que haja alguma justificativa real para tanto. O que muitos pesquisadores acreditam é que recorrer a esse método poderia levar a um desequilíbrio de gênero na população humana. Mas essa teoria é contestada por outras pesquisas.

 

Quando a escolha do sexo pode ser feita em laboratório?

Existem alguns países que realizam esse procedimento, porque não possuem uma proibição explícita para isso, em outros, o processo é realizado às margens da lei. No Brasil existe a proibição da escolha do sexo e também das características físicas da criança.

O Conselho Federal de Medicina apenas permite realizar essa seleção quando o casal apresenta risco de doenças que estejam ligadas a um determinado sexo. Assim, para evitar que a criança corra o risco de nascer com problemas de saúde, é feita a opção pelo sexo oposto.

Se não houver um risco real e comprovado de desenvolvimento de algumas doenças relacionadas ao sexo, o médico que realizar o procedimento apenas para escolha do gênero estará infringindo a norma e agindo de forma antiética.

O médico deve sempre atuar seguindo de forma integral as normas e preceitos éticos de sua profissão, e que são determinados pelos Conselhos Regionais e o Conselho Federal de Medicina, para que exerçam sua função dentro da lei e com bases éticas.

Mas o profissional tem total liberdade para pesquisar e analisar o histórico das famílias. Por isso, se um casal recorrer a uma clínica de reprodução assistida com o intuito de ter um filho de um determinado sexo, o especialista pode analisar se isso é possível.

Ele deve estudar o histórico familiar para identificar casos de doenças genéticas entre os familiares que justifiquem a escolha do sexo oposto para o bebê. Se não houver nenhum caso, então o médico não pode realizar essa seleção e precisa explicar ao casal porque, apresentando-lhe as normas da profissão.

 

Isso é justo com os casais?

O tema de seleção do sexo de bebês é ainda muito polêmico, porque enquanto alguns profissionais acreditam que a natureza deva seguir o seu curso, outros pensam que as técnicas existem para ajudar os casais, e que não há problema em utilizá-las.

Ao mesmo tempo, entramos em questões de ordem antropológica e religiosa. Por isso, é importante que essas linhas de conhecimento atuem juntas na análise dessa questão para definir se ela é de fato justa, se poderia apresentar algum tipo de risco para o equilíbrio entre gêneros, entre outros mais.

Chegar a uma conclusão definitiva pode ser complicado e demorado, se for possível. Por isso para os casais que desejam um filho de determinado sexo, o especialista pode indicar o coito programado, para que seja calculada a ovulação da mulher e ela tenha maiores chances de desenvolver um embrião feminino ou masculino.

Se esse é o seu caso, converse com seu médico para que ele possa lhe explicar como tentar por vias naturais determinar o sexo do bebê. Mas é preciso lembrar que o método não é 100% eficaz, mas pode ajudar a aumentar as chances de ter um bebê com o sexo desejado.

Doutor Armindo

Ginecologista e especialista em reprodução humana

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Doutor Armindo Dias Teixeira

Médico ginecologista formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e especialista em medicina reprodutiva e cirurgia minimamente invasiva.